Vinho sem álcool: existe, faz bem para o coração e é uma delícia!

Vinho sem álcool, é serio isso?

Sede da Vinícola La Dorni, fabricante do primeiro vinho sem álcool do Brasil Créditos da Imagem: Divulgação

Sede da Vinícola La Dorni, fabricante do primeiro vinho sem álcool do Brasil
Créditos da Imagem: Divulgação

Há alguns anos, eu estava com minha esposa em uma loja de produtos para festas. Na época, ela montava cestas de café da manhã e fazia pão de mel para vender. Eu estava olhando as prateleiras quando uma garrafa chamou-me bastante a atenção. Era uma garrafa de vinho, e, no rótulo, eu li:

“Sem Álcool”

Ué… vinho sem álcool? Isso é sério ou é alguma pegadinha?

Levei aquela garrafa para casa e provei, com muita curiosidade. E não é que aquilo era mesmo uma delícia?! Mas, como tudo o que é bom dura pouco, depois de alguns dias o meu vinho acabou. Voltando à loja, procurei pelo vinho sem álcool. O espanto no olhar da atendente era visível.

“Suco de uva, o senhor está procurando?”

“Não, amiga. Vinho. Vinho sem álcool.”

“Huuuum, a gente não trabalho com isso, não senhor”.

É. Passei por maluco. A menina não tinha a mínima noção de que aquilo existia. O patrão deve ter comprado por engano, ou sequer leu o rótulo que informava que a bebida não era alcoólica, ou sabe-se lá o quê. Para não passar por ridículo, fui embora. Não iria perder meu tempo argumentando. Aquela menina deve ter rido de mim quando saí e pensado que eu era maluco. Vinho sem álcool, ah, cada uma!

E fiquei sem poder provar mais daquela delícia. E o tempo passou. Isso deve ter acontecido há quase 10 anos.

Há pouco tempo, eu voltei a pesquisar sobre vinho sem álcool, assim, de repente. Mas nada de encontrar alguma adega que o vendesse aqui em São Paulo. Até mesmo um conhecido que é proprietário de uma casa de vinhos disse nunca ter provado ou sequer visto uma garrafa de tal vinho.

Enfim, encontrei o site de um fabricante que dizia comercializá-lo. Uma vinícola da cidade de Bandeirantes, no Paraná, chamada Vinícola La Dorni.

Vinho Tinto Suave Sem Álcool La Dorni Créditos da Imagem: Divulgação

Com alguns contatos, fui presentado pela La Dorni com três garrafas de vinho como cortesia; uma de vinho tinto suave, uma de vinho tinto seco e uma de meio seco.

Tudo bem, você que leu este artigo até aqui deve estar se perguntando agora:

“Mas, que graça tem uma bebida sem álcool?”

Bom, eu, particularmente, faço parte de um seleto grupo de pessoas com baixa resistência ao álcool, equivalente, segundo uma matéria da BBC Brasil, a 4% da população mundial, que fica embriagada ao beber uma única dose de bebida alcoólica. Na verdade, o meu caso é tão extremo que eu já fico tonto ao comer um simples bombom recheado com licor. Isso começou por volta dos 22 anos, e perdurou para sempre. Nem pensar em beber um copo de cerveja, vinho, ou qualquer outra bebida com álcool. É passar vexame na certa!

Mas, vinho sem álcool é vinho mesmo ou é suco de uva?

A diferença básica entre vinho e suco de uva é que o vinho é produzido a partir da fermentação da uva, já o suco é feito a partir de uvas cozinhas e adoçadas.

Os vinhos da La Dorni são feitos por meio de um processo semi-artesanal, com uvas selecionadas. As uvas passam pelo processo normal de fermentação, o que gera o álcool, só depois é que o álcool é retirado do produto através de um processo com tecnologia 100% nacional, segundo o site do fabricante. Esse processo faz com que a concentração alcoólica da bebida seja 0,0%.

E o vinho sem álcool é benéfico à saúde?

Sim, e mais do que você imagina!

Engana-se quem pensa que os benefícios já conhecidos pela ciência da ingestão de um cálice de vinho tinto por dia estão no álcool da bebida.

Um estudo1 realizado pelo Hospital Clínic de Barcelona, um prestigiado hospital universitário fundado no ano de 1906, acompanhou 67 voluntários portadores de diabetes com três ou mais fatores de risco para doenças cardíacas. Os riscos envolviam histórico familiar, tabagismo e/ou obesidade, diabetes, hipertensão ou alto nível de colesterol.

Os voluntários participaram de 3 períodos de intervenção, cada um com duração de 4 semanas.

Na primeira semana, eles deveriam consumir, por dia, 100 mL de gin, contendo 30 g de etanol, junto com as refeições. Na segunda semana, 272 mL de vinho tinto, contendo 30 g de etanol e 733 mg de polifenóis totais. Na terceira e última semana, os voluntários deveriam consumir 272 mL de vinho tinto sem álcool, contendo 1,14 g de etanol2 e 733 mg de polifenóis totais.

Os resultados do estudo foram:

a) tanto o vinho alcoólico quanto o sem álcool aumentaram o metabolismo da glicose;

b) o vinho sem álcool baixou a pressão sanguínea dos voluntários em 6mmHg na pressão sistólica (conhecida popularmente como “máxima”) e 2mmHg na pressão diastólica (conhecida popularmente como “mínima”).

Ou seja, somente o vinho sem álcool alterou a pressão sanguínea dos voluntários, e de um modo super positivo, levando a uma redução média de 14% no risco de desenvolvimento de doenças cardíacas e 20% no risco de derrame.

Diversos outros estudos têm demonstrado que um poderoso polifenol antioxidante presente no vinho tinto, o resveratrol, é o responsável por essa proteção ao coração, assim como o controle do colesterol, alívio da fadiga crônica e propriedades antitumorais e anti-inflamatórias. Ou seja, o que faz bem para a saúde é o vinho, e não o álcool contido no vinho!

E esse tal vinho da La Dorni, então?

Eu não sou especialista em vinhos. Nesse quesito, sou um mero consumidor. Mas já provei alguns rótulos de vinhos alcoólicos antes de adquirir essa baixa resistência ao álcool, e que posso dizer é: vinho sem álcool é uma delícia!!!

Eu havia provado, lá naquela primeira ocasião que contei no início deste artigo, o vinho tinto seco. Não Vinho Tinto Seco Sem Álcool_La Dornisou um grande fã de seco, mas posso dizer que o sabor é rascante, como o sabor de um vinho seco deve ser, intenso, e lembra bastante o sabor do vinho alcoólico. Eu acredito que em um teste cego somente um verdadeiro especialista diria que o vinho da La Dorni não contém álcool.

Já o suave, ah, esse eu amo de paixão e lembro-me bem do sabor da época em que eu podia bebê-lo. E graças à La Dorni, agora eu pude ser agraciado com esse delicioso sabor novamente.

Das três garrafas que recebi pelo correio de cortesia, abri apenas a do vinho tinto suave. As outras duas eu pretendo guardar para degustar junto com um especialista em vinhos e gravar um vídeo. Aguardem!

Mas, voltando ao vinho tinto suave sem álcool. Delicioso! O aroma e a cor são mesmo de vinho, não lembram em nada o suco de uva. Seu sabor é frutado, licoroso, realmente doce! A sensação é de um prazer imenso, uma mistura de nostalgia de meus tempos de juventude aliada ao prazer de poder novamente sentir o sabor de uma bebida que tanto aprecio sem a sensação extremamente desagradável da embriaguez, e, como hipertenso que sou desde os 30 anos de idade, saber que posso voltar a desfrutar de um bom vinho sem preocupar-me com qualquer efeito colateral.

O que a La Dorni faz é atender a um nicho de consumidores que engloba, como eu, pessoas com baixa resistência ao álcool, que não consomem álcool por questões religiosas ou mesmo quem pretende fugir do bafômetro. E eu só tenho a agradecer!

A Vinícola La Dorni tem sua sede em um castelo inspirado nas construções da baixa idade-média, o qual pode ser visitado mediante visita agendada, e até mesmo alugado para a realização de casamentos! Saiba mais clicando aqui!

Os vinhos La Dorni podem ser adquiridos através da La Dorni Store, a loja on-line da vinícola. Para conhece a loja, clique aqui.

Agora que você já sabe um pouco sobre vinho sem álcool, compre, prove e deixe um comentário aqui no site!

Notas:

  1. Chiva-Blanch G et al. Effects of red wine polyphenols and alcohol on glucose metabolism and the lipid profile: a randomized clinical trial. Clinical Nutrition (2012), doi: 10.10.1016/j.clnu.2012.08.022.
  2. DECRETO Nº 6.871, DE 4 DE JUNHO DE 2009, Artigo 44, Parágrafo 5º “O fermentado de fruta poderá ser desalcoolizado por meio de processo tecnológico adequado e, neste caso, deverá ser denominado “fermentado de…”, acrescido do nome da fruta e da expressão sem álcool, desde que o teor alcoólico seja menor ou igual a meio por cento em volume.”

Fontes: Peak Health Advocate, The Atlantic, Circulation Research, Vinícola La Dorni

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Kleber Pedroso

Kleber Pedroso é Editor da Poltrona Digital e tradutor profissional. Graduado como Tradutor/Intérprete (1998), pós-graduado em Gestão Estratégica de Pessoas (2010) e cursando uma segunda pós-graduação, em Filosofia (2018-2019).

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