Publicado no Brasil o último volume de SANDMAN – PRELÚDIO

Após uma longa espera, finalmente temos acesso ao que Neil Gaiman queria chamar de “Sandman Zero”, e que foi lançado por aqui como Sandman – Prelúdio. O primeiro volume saiu no Brasil em outubro de 2015, e somente agora conseguimos ler o último volume da série. Para não dar spoilers, vamos falar apenas sobre algumas particularidades da trama e das versões publicadas aqui e lá fora.No Brasil, a Panini dividiu a série em três volumes, encadernados em capa dura. Nos Estados Unidos, além dos seis fascículos publicados individualmente, há ainda a “Deluxe Edition”, com a história na íntegra e alguns extras interessantes.

Para quem lê em inglês e esteja disposto, vale muito a pena, pois a galeria de imagens extras é sensacional, bem como as entrevistas com praticamente todo mundo envolvido na produção, de Dave McKean a JH Williams III. O prefácio de Neil Gaiman também é sempre bastante divertido e, de bônus, essa versão vem com um textinho dele para cada um dos seis capítulos, enquanto estavam sendo escritos/publicados. Na edição nacional, o único material extra é a entrevista com Dave StewartCores: da teoria à execução – que está no volume 1.

Antes do princípio, havia a noite. E a noite não tinha fronteiras, e a noite não tinha fim. No princípio, havia o tempo. O incansável batimento no qual as coisas poderiam acontecer […]. Nessa conjunção, o Universo era possível, todas as versões dele. Nele, as pessoas poderiam sonhar e morrer. Nele, as estrelas ardiam, fulguravam e se apagavam.

O Prelúdio de Sandman é uma espécie de looping entre o começo e o fim. Ele acaba onde o arco “Prelúdios e Noturnos” começa. (Note que a sacada da repetição da palavra não acontece em inglês, em que os títulos originais são “Preludes & Nocturnes” e “Overture”!)

Algumas pontas soltas ao longo de 75 edições, são amarradas agora. Mas isso não impede que a leitura seja feita em outra ordem. É um combate entre o fim e o começo; ou entre o começo e o fim. Mas, também, é uma história familiar, envolvendo conflitos inimagináveis.

Quando Gaiman começou a escrever a saga, ele era um jovem de vinte-e-poucos anos, e ele admite que muito de sua própria vida estava em Sandman. Após os 50, tudo mudou, de certa forma. Prelúdio aborda – entre outras coisas – a responsabilidade, o dever, e a necessidade de se conectar a algo ou alguém, nem que seja consigo mesmo. Não é uma narrativa superficial, chega a ser filosófica, até! Coisas acontecem entre os microssegundos e ficamos pensando sobre elas por um longo tempo. Da mesma forma, é uma história em quadrinhos em que – graças à extraordinária arte de JH Williams – a história extrapola os quadrinhos. A ação também acontece entre os quadrinhos, sobre os quadrinhos, fora dos quadrinhos…

Enfim, a espera valeu a pena. Sandman – Prelúdio é uma obra de arte para ler, apreciar, guardar, colecionar, e ler de novo… e de novo… e de novo!

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