Crítica | Um Homem Chamado Ove

Um Homem Chamado Ove pode ser a história de qualquer um de nós

Colaboração: Sueli dos Santos

Pôster de "Um Homem Chamado Ove" Créditos da Imagem: Divulgação/Califórnia Filmes

Pôster de “Um Homem Chamado Ove”
Créditos da Imagem: Divulgação/Califórnia Filmes

Escolhido para representar a Suécia na categoria de melhor filme estrangeiro no Oscar de 2017, Um Homem Chamado Ove pode ser a história de qualquer pessoa. Quem não tem na família, no bairro, no emprego, algum conhecido que mantém hábitos de pensamento e ação rígidos e logo carimbamos um “chato” na testa da pessoa? Ove é um pouco assim. Ele, um homem de 59 anos, e hábitos simples, mas rígidos, o famoso “cheio de manias”.

Seguindo a tradição das películas europeias, Um Homem Chamado Ove mostra uma situação meramente humana! Sim, para mim, desde que me conheço por gente, os filmes europeus tratam de questões humanas. Talvez porque os europeus estejam em outro patamar. Não tenham preocupações econômicas do dia a dia, sei lá. Essa sempre foi minha percepção de filmes europeus.

“Vamos lá assistir um filme que fale das nossas crises existenciais…”

Voltando a Ove, ele é um senhor mal-humorado de 59 anos que leva uma vida totalmente amargurada. Aposentado, ele se divide entre sua rotina monótona e as visitas que faz ao túmulo de sua falecida esposa. O roteiro é simples. Chato? De jeito nenhum!

O filme mostra que, apesar de sua postura irredutível sobre muitos aspectos do dia a dia, Ove é capaz de grandes paixões. Paixões cegas, que não admitem qualquer desvio. Elas podem ser pela marca de um carro ou por uma mulher. E por meio delas vemos um homem leal – a seus princípios e às pessoas que ele ama, como Sonja, sua esposa, e, de repente, lá estamos torcendo e se apaixonando por Ove. Nas lembranças de Ove até conseguimos entender suas atitudes e… “puxa, ele está certo”.

Quando encontramos Ove, ele está deprimido. Foi demitido depois de anos na mesma empresa. Não há mais espaço na modernidade para um homem com seus rígidos padrões. De repente, ele se vê aposentado e viúvo, sente o peso da solidão. Então, ele decide planejar um suicídio. Ele tenta, mas sempre é interrompido pela mão do acaso, na figura de vizinhos bisbilhoteiros que, sem pedir licença, passam a fazer parte da vida de Ove. Nessas tentativas, há situações bem engraçadas.

Durante suas visitas ao túmulo da esposa e também durante suas reflexões enquanto tenta se matar, vamos conhecendo um pouco de Ove e torcendo para que ele não o consiga. Quando chegam novos vizinhos, a vida de Ove ganha outra dimensão. Aos poucos, passa a encarar o mundo de outra forma.

Ove demonstra a necessidade humana de ser útil, e de ser membro de um grupo. Na falta do amor, amigos mostram como a nossa presença é importante para o melhor desempenho deles. Mesmo o mais turrão dos homens, a pessoa menos gentil de um grupo, tem com que contribuir para o bem-estar de todos e de si próprio. Essa é uma história que faz bem à alma. Sem nenhum efeito especial, Um Homem Chamado Ove ajuda-nos a lembrar de que somos humanos, e um simples gesto pode ajudar a transformar a vida de uma pessoa.

O filme vale o ingresso. Se vai ganhar o Oscar, não sei… precisamos ver os outros indicados, mas Ove é bom!

Assista ao trailer

Ficha Técnica

Título: En man som heter Ove (Original)
Ano de Produção: 2015
Direção: Hannes Holm
Estreia: 16 de Fevereiro de 2017 ( Brasil )
Duração: 116 minutos
Classificação: 12 anos
Gênero: Comédia, Drama
Países de Origem: Suécia

Agradecimentos: Califórnia Filmes, Espaço Itaú de Cinema Frei Caneca

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