Crítica | Power Rangers

今、POWER RANGERS 映画を見ています。

Colaboração: Henrique Takimoto Jasa (Yatta)

Pôster de Power Rangers Créditos da Imagem: Divulgação/Paris Filmes

Pôster de Power Rangers
Créditos da Imagem: Divulgação/Paris Filmes

Se você é do tipo que ama super sentais, filmes de terror, drama bem construído e ODEIA Power Rangers, saiba que, desta vez, veio um filme praticamente +18 para agradá-lo(a), sem faíscas, com muito sangue, mortes, destruição, e mais sério que Spawn (dos quadrinhos).

Por uma boa razão, trago-lhes aqui motivos para ir ao cinema, e ainda comprar o balde especial de pipoca em formato do capacete dos Power Rangers!

Bom, para iniciar, qualquer informação já seria considerada “spoiler” pelo grande público, até falar do que todos já viram nos trailers, mas, vamos tentar ser neutros!

Enquanto que em super sentais e em seriados dos Power Rangers, logo no primeiro episódio você precisa, em 20 minutos, apresentar todos os personagens e já entregar a eles as roupas e os robôs gigantes, e já acontecer uma grande luta, os roteiristas conseguiram fazer um ótimo trabalho de construção neste filme, ao poder usar, em um filme de quase 2 horas, já mostrar bem quem é cada um na primeira hora, e uma boa gênese de passado e presente de cada um, com algumas pitadas de mistério, terror, e drama pessoal.

Pela primeira vez, não preciso jogar um balde de água fria no público sobre Power Rangers. Quando lançaram um curta metragem sangrento e sem faíscas de Power Rangers na Internet há alguns anos, o público amou, e então, houve até paródias com Mortal Kombat e outros tipos de desafios. Provavelmente, a Toei e a Saban estiveram de olho, e, por isso, resolveram fazer este filme com um tom mais adulto e sombrio, mais “realista”, até certo ponto.

Os personagens da turma, Jason, Kimberly, Trini, Zack, Billy, e até mesmo o próprio Zordon, tiveram, em um filme de menos de duas horas, muito mais chances de mostrar uma profundidade maior de suas personalidades. Não é mais uma cópia de super sentai, como muitos pensam, devido ao histórico da série de TV, e muito menos um “Clube dos Cinco“, como alguns sentem como certa referência já em sinopses e trailers. E conseguiu vender bem a imagem do drama realista.

Diferente da série de TV, Zordon não é a imagem da bondade, mas sim, um personagem bem egoísta, escondendo dos Rangers os seus reais motivos para se libertar de um ciclo, e o ator Bryan Cranston conseguiu deixar isso bem nítido em sua atuação. Um ponto alto de sua atuação!

Vamos falar mais do elenco?

Pôster de Power Rangers Créditos da Imagem: Divulgação/Paris Filmes

Pôster de Power Rangers
Créditos da Imagem: Divulgação/Paris Filmes

Dacre Montgomery, de início, parecia-me apenas “mais um loirinho estereotipado de filmes norte-americanos”, quase uma versão do garoto principal de High School Musical que, hoje em dia, faz filmes de drama, mas, surpreendeu-me com uma atuação digna para o personagem que anteriormente pertencia a Austin St. John. O Ranger Vermelho, desta vez, consegue ser mais complexo e problemático, mesmo mantendo os trejeitos de Austin na série clássica. Viver à sombra do legado que leva seu nome deixou o ar humano do personagem bem à vista.

A belíssima Naomi Scott conseguiu fazer por merecer ao estar na pele da personagem de Amy Jo Johnson, conseguindo fazer poses como as da Kimberly na série, e seu biotipo facial e expressões muito faziam lembrar a própria Amy, apesar das diferenças, como o fato de ter traumas e situações da personagem que a versão da série não tinha. Aplaudo de pé o trabalho e talento dessa jovem moça aqui no filme.

RJ Cyler foi destoou do Billy clássico, e não apenas pela mudança de etnia e trejeitos do personagem, mas por ser bem honesto no que faz. David Yost foi bom em seu papel na série, mas este novo Billy consegue cativar e ganhar mais importância ao grupo e à história do que pensávamos ao ver o trailer ou mesmo a sinopse. Muitas cenas chaves do filme têm ele como responsável, de certa forma.

Becky G, por sua vez, teve uma Triny de personalidade forte e intensa, tendo uma batalha interna e externa a vencer, fora o próprio fardo de salvar a Terra. Thuy Trang (✩1973 – †2001) traz saudade, mas, a versão de Becky G foi mais bem trabalhada com seus conflitos, trazendo uma verdade cênica bem próxima de muita gente em relação à vida, família, pessoas, etc.

Ludi Lin, o koreano, é um Zack bem solto, curto e grosso, bem direto, e acaba tendo uma personalidade que lembra bastante o Zack do Walter Emanuel Jones. Sua gênese é colocada sem rodeios, de uma vez, e ainda assim, não desmerece e nem o torna menos interessante por isso. Valores familiares e a procura por algo que o faça ir adiante na vida, mesmo quando não houver mais uma família, acaba dando um certo ar que eu senti apenas em Flashman. Muita gente procura pelo mesmo que ele, cedo ou tarde na vida, e isso o faz cativar o público, mesmo ele sendo o “porra louca” da turma.

A estonteante Elizabeth Banks acabou escalada para ser Rita Repulsa. De início, mesmo confiando em seu trabalho desde filmes como “Slither” (Seres Rastejantes), não imaginei que ela combinasse com a personagem, anteriormente feita pela atriz já falecida que dava voz ao “BallBoy” (a bola de basebol falante da série Machineman). Fiquei muito surpreso ao ver uma Rita que lembrava uma mistura de Sadako com Freddy Kruegger, e com um passado de forte ligação com Zordon, trazendo uma apimentada maior ao desencadeamento da história e o desenrolar da batalha.

Um personagem carismático da série, que chega aqui parecendo uma mistura de disco voador com para-choque de carro antigo, é o nosso querido Alpha 5, o “robô tagarela“. O jargão preocupado “Ai, ai, ai, ai, ai” vem com naturalidade, mas, não insistente como na série, o que acaba trazendo um pouco de nostalgia e de humor às cenas em que surge. Seu design é difícil de ser compreendido de início, mas, ele lembra uma versão robótica de Groot com Tico e Teco, mas, ainda assim, tem seu carisma. Não é um estereótipo mexicano, como consideravam na época da série, mas, é válido pro que é proposto.

Ouro, explosões, dramas internos, vidas em jogo, e alta referências a diferentes temporadas da série, e até à personagens de outras produtoras, deixando as cenas sempre ricas em detalhes, prendem seus olhos do início ao fim, deixando um ar de esperança para que venha uma série mais madura e humana sobre esta nova versão dos heróis da década de 90.

Fotografia que consegue passar a mensagem sem estragar os olhos, boa desenvoltura dos personagens e suas histórias, trilha sonora bem definida, efeitos de novidade e de nostalgia mesclados, e algumas alfinetadas bem curiosas, apenas notadas por cinéfilos ou nerds, moedas de poder, e vários elementos chaves importantes da história original, trazem a marca desta série, por muito tempo aclamada pelo seu público fiel, montam este mosaico que monta o quebra-cabeças do filme, sem medo de errar.

Bom, não vá esperando enormes revelações, pois, por exemplo, não é focado na Triny ser abertamente lésbica, mas sim, lidar com isso aos poucos, como na preocupação não apenas consigo mesma, mas, com a dúvida sobre de quem ela gosta, seja família, amor, amizade. Basicamente, é algo que é apenas “sugerido”, de certa forma, sem atrapalhar o contexto do todo. O foco maior acaba sendo mesmo na luta para salvar o mundo.

Senti falta de personagens icônicos, como Bulk e Skull, mas, levando em consideração que seria um longa sério, podemos entender o porquê de eles não estarem por aqui. Se você não dava nada pelo filme, pense bem, e vá ao cinema.

E aí? Vai assistir, ou vai ficar parado vendo o mundo acabar? É HORA DE MORFAR!

Ficha Técnica

Título: Saban’s Power Rangers (original))
Direção: Dean Israelite
Elenco: Naomi Scott, Elizabeth Banks, Becky G., David Denman, Emily Maddison, Ludi Lin, RJ Cyler, Dacre Montgomery, Lisa Berry
Gênero: Ação, Ficção
Data de lançamento no Brasil: 23 de Março de 2017
Distribuidora no Brasil: Paris Filmes
País de Origem: EUA
Classificação: Livre
Produção: Lionsgate e Saban

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