BLADE RUNNER 2049

Detalhe do Pôster de "Blade Runner 2049"<br /> Créditos da Imagem: Warner

Detalhe do Pôster de “Blade Runner 2049”
Créditos da Imagem: Warner

Levei um tempo para me recompor após sair da sessão de BLADE RUNNER 2049. Ainda estou perplexo com tamanho capricho, com tamanho empenho em ser fiel ao original e, ao mesmo tempo, entregar, o que em minha opinião é, a obra prima de ficção do cinema dos últimos 35 anos. Desde 1982, quando o original foi lançado, não se via um filme com tanto impacto, com tanta qualidade. Philip K. Dick ficaria orgulhoso de ver sua obra tão belamente revista e ampliada. E mesmo sendo fiel ao original dirigido pelo excepcional Ridley Scott (Alien, Gladiador), Denis Villeneuve (dos ótimos Os Suspeitos, Sicário: Terra de Ninguém e do elogiadíssimo A Chegada) conseguiu deixar sua marca. E que marca, que filme! Leia mais sobre o original aqui).

Estamos em 2049, o caçador de androides K, está um novo e intrigante caso, pontas soltas aqui e ali o levam a descobertas perigosas. A jornada começa. E ao mesmo tempo em que qualquer um possa assistir ao filme e apreciá-lo, só quem assistiu ao primeiro irá ter uma experiência completa, e só quem além de ter assistido a Blade Runner  ser fã do filme, vai ter uma experiência completa e vivenciar o novo filme por completo, sim, vivencia , é inexplicável. E fico por aqui com a trama, não quero dar o mínimo sequer de spoilers, é um filme para ser visto e revisto muitas e muitas vezes.

E sim, quero revê-lo por vários motivos, saudosismo pelo original, contemplação, estar no cinema e ver um filme de qualidade insuperável, que há muito eu não via, apreciação por uma boa obra de ficção, curtir um cinema de qualidade e tantos outros motivos. Mas contemplação é o que define, o filme vale ser revisto em primeiro lugar pela belíssima direção de fotografia, do renomado Roger Deakins, que já foi indicado a 13 prêmios Oscar de melhor direção de fotografia, mas infelizmente não ganhou nenhum. Especialistas e leigos, incluindo esse que vos escreve afirmam, o Oscar virá com o que talvez tenha sido a melhor obra deste mestre da fotografia. Mestre porque ele é o diretor de fotografia de filmes grandiosos como Um Sonho de Liberdade, Onde os Fracos não tem Vez e Mente Brilhante, só para citar alguns. Em segundo lugar, o roteiro, de Hampton Fancher, que roteirizou o filme de 1982 e Michael Green, do excepcional Logan. Em terceiro lugar, a obra de Philip K Dick, como todos sabem, o filme original é baseado na obra de Dick, mas difere, e muito do livro, o livro é só a base de tudo, a ideia principal.

De qualidade insuperável, o filme não é para qualquer um, a imersão e entendimento completo desta obra de arte só é possível se você conhece e assistiu ao original, claro que o filme irá agradar a todo fã de uma boa ficção científica, mas o completo deleite, só para quem assistiu ao original. Muito dessa qualidade se deve a todos os fatores já mencionados, e embora Ridley Scott não tenha dirigido, ele é um dos produtores.

E as atuações? Ryan Gosling (La La Land, Drive) como K me surpreendeu positivamente, é de longe seu melhor filme. Robin Wright (Forrest Gump, Mulher Maravilha) está ótima como a chefe de K, Joshi. Jared Leto (Clube Compras Dallas, Esquadrão Suicida) é o enigmático Niander Wallace. E os destaques são a novata Ana de Armas, em uma atuação impecável, e a presença forte e arrebatadora de Harrison Ford (Blade Runner, Indiana Jones), reprisando seu papel do filme original, Rick Deckard. Harrison, segundo alguns, e eu concordo plenamente, pode levar seu primeiro Oscar, sem exageros.

Todos os medos se dissiparam, estamos falando de um filme que facilmente poderia entrar para a lista fatídica das continuações tardias, mas não entrou, e muito pelo contrário, se tornou outra obra prima do gênero.  Vide por exemplo o fatídico Indiana Jones e O Reino da Caveira de Cristal, que só vale pela nostalgia, infelizmente.

As continuações como um todo são sempre esperadas com medo, e elas têm a estigma de serem ruins, ou de qualidade inferior ao original, cito como exemplo Matrix, que é outra obra prima da ficção, que exceto pelo diálogo com o arquiteto no segundo filme, as duas sequências são descartáveis.

Todas as expectativas foram superadas e com êxito, em muitos aspectos, Blade Runner 2049 supera o original, mas não como um todo. A diferença está nas nuances. O filme, claro, tem defeitos, perdeu um pouco do clima noir do primeiro e a trilha não é tão impactante, embora… ops… sem spoilers.

As qualidades estão nos detalhes, em cada tomada de cena, em cada diálogo, em cada momento único. O filme é inebriante e assisti-lo uma vez só não é o suficiente para apreciá-lo em toda sua magnificência.

Ficha Técnica

Título: Blade Runner 2049 (Original)
Ano de Produção? 2017
Direção: Denis Villeneuve
Estreia: 5 de Outubro de 2017 ( Brasil )
Duração: 165 minutos
Classificação 14: Não recomendado para menores de 14 anos
Gênero: Drama, Ficção Científica, Mistério, Thriller
Países de Origem: Canadá, Estados Unidos da América, Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte

Tags:

Andreas Pabst é membro da Tolkien Society, a mais respeitada organização de estudos da obra de Tolkien no mundo, professor de inglês há mais de 10 anos e também tradutor.

Deixe seu comentário