Quanto devo cobrar por uma tradução, afinal?

Lauda? Palavra? Hora? E agora?

Cobrar parece algo simples, mas uma das perguntas mais frequentes nos grupos de tradutores dos quais participo e modero no Facebook é:

“Quanto devo cobrar por um trabalho de tradução?”

Antes de mais nada, convido o(a) amigo(a) leitor(a) a trocar ideias a esse respeito com milhares de colegas tradutores(as) ao redor do mundo fazendo parte do grupo Tradutores, Intérpretes e Curiosos no Facebook. Sou um dos moderadores, clique sobre o nome do grupo neste parágrafo e peça para fazer parte dele.

Enfim, na realidade, por mais que se debata essa questão, ela não pode simplesmente ser respondida de uma forma direta.

Cobrar de quem?

Antes de mais nada, antes mesmo de fazer essa pergunta, você precisa ter em mente quem são/serão seus clientes em potencial. Nós, tradutores, temos, basicamente, 3 categorias de clientes:

1. Agências de Tradução

São empresas que terceirizam o serviço de tradução. Outras empresas, das mais variadas, de escritórios de advocacia a montadoras, de indústrias farmacêuticas a bancos, contratam essas agências para traduzir seus textos. As agências, por sua vez, podem ter uma equipe interna de tradutores ou contratar tradutores freelancers, que atuam em home office para fazer o trabalho, ou ambos. Os tradutores executam o serviço e enviam a tradução para as agências, as quais, em geral, possuem uma equipe de revisores internos responsáveis pelo controle de qualidade da tradução. Uma vez devidamente revisado, o texto é entregue ao cliente. Algumas vezes, é necessário que o texto seja diagramado antes da entrega. Para isso, algumas agências também contam com diagramadores/editoradores em suas equipes internas. Isso não as impede, também, de contar com revisores e diagramadores/editoradores freelancers, que, assim como os tradutores, atuam em home office.

2. Editoras

Muitas editoras adquirem os direitos de publicação de um livro publicado no exterior. Logo, elas precisam do conteúdo do livro traduzido para o português para poder publicá-lo aqui no Brasil. Em geral, as editoras contratam diretamente tradutores freelancers para tal, pois o custo de contratar uma agência pode encarecer demais o processo de publicação, do qual a tradução é apenas uma dentre diversas etapas.

3. Clientes Diretos

É assim que nos referimos a quaisquer empresas ou pessoas que contratam diretamente nossos serviços, sem qualquer tipo de intermediação.

Muito bem.

Chuva de Moedas_Créditos da Imagem: Pixabay

Créditos da Imagem: Pixabay

Se você pretende prestar serviços para agências de tradução, as quais são, na maioria das vezes, a maior fonte de renda de um tradutor e a melhor forma de entrar no mercado, esqueça a ideia de “cobrar”. Prestar serviços para uma agência de tradução é quase como ter um emprego: você envia seu currículo, recebe um teste de tradução, e, se for aprovado, uma pessoa, geralmente chamada de “gerentes de projetos” (mais conhecida pela sigla PM, de Project Manager) entrará em contato com você e começará a enviar trabalho. A agência é quem determina o valor que será pago a você pela tradução. Algumas agências pagam um valor por lauda (em geral, uma lauda aplicada pelas agências tem 180 palavras), outras, por palavra. Esse valor oferecido pode variar muito. No Brasil, por exemplo, há quem ofereça R$0,03 (três centavos) por palavra, e quem ofereça R$0,15 (quinze centavos) por palavra. É possível que uma mesma agência ofereça valores diferentes dependendo do projeto, do par de idiomas, do tempo em que o tradutor presta serviços para aquela agência ou da experiência e “nome” que o tradutor tem no mercado. Ou seja, de agência você não cobra, você recebe. Na maioria das vezes, é pegar ou largar. Às vezes, é possível negociar. Tudo “depende”.

Se o cliente for uma editora, em geral, também é ela quem ditas as regras. Editoras costumam pagar por página ou por lauda. Novamente, isso impede que se afirme que existe “uma média” de valores. Há editoras que contam uma lauda de 250 palavras, outras, de 1200, outras, de 1250 caracteres, com ou sem espaços! Essa diferença bagunça com a cabeça de todo mundo! Uma editora, certa vez, ofereceu-me um trabalho por R$14,00 (quatorze reais) por página. Não importava se a página tinha uma ou mil palavras. O valor era pago por página. No caso de editoras, é possível negociar valores se você já tiver um bom portfólio de livros traduzidos.

Por fim, se você tiver clientes diretos, eles serão SEUS CLIENTES. Quem determinará o preço é você. Esse é, na verdade, o único caso em que você pode verdadeiramente cobrar seu preço. O Sindicato Nacional dos Tradutores – SINTRA possui valores de referência que podem ser tomados por base. Essa referência é bastante completa, abrangendo valores de tradução, tradução literária, versão, revisão, interpretação, legendagem, e é atualizada periodicamente. O valor sugerido pelo SINTRA por palavra hoje para tradução de um idioma estrangeiro para o português, por exemplo, é de R$0,38 (trinta e oito centavos).

Cobrar por palavra, no meu ponto de vista, é a forma mais justa de cobrar. Para meus clientes diretos, eu cobro um valor por palavra do texto original enviado pelo cliente, assim, ambos sabemos e acordamos o valor final do trabalho antes que ele seja iniciado, de modo que não haverá surpresas.

——————————————————————————————————————————————————-

ATENÇÃO: Você gostou deste post? Então, que tal patrociná-lo por apenas R$1,00? Basta clicar no botão abaixo e fazer sua contribuição pelo PagSeguro, usando seu cartão de crédito. O Nerd Aos 40 é um “projeto de um homem só”, e minha meta é poder dedicar-me a ele em tempo integral, fazendo dele meu trabalho e provendo conteúdo nerd/geek cada vez melhor. Vamos lá, apenas R$1,00! Obrigado!

Botão_Patrocinador

Ao clicar neste botão, você será redirecionado(a) à nossa página de pagamento personalizada do PagSeguro.

——————————————————————————————————————————————————-

Tags:

Kleber Pedroso

Kleber Pedroso é Editor da Poltrona Digital e tradutor profissional. Graduado como Tradutor/Intérprete (1998), pós-graduado em Gestão Estratégica de Pessoas (2010) e cursando uma segunda pós-graduação, em Filosofia (2018-2019).

Deixe seu comentário