A receita do sucesso de Crepúsculo

Créditos da Imagem: Adriano Siqueira

Eu me lembro bem daquela época em que os livros e os filmes da saga CREPÚSCULO fizeram grande sucesso no Brasil e no mundo. Meu blog, o Adorável Noite, já era bastante conhecido por conta do sucesso de alguns anos antes da novela O Beijo do Vampiro (2003). E os vampiros, aqui, já eram bem familiares.

O lançamento de CREPÚSCULO e seu grande sucesso no Brasil tem muitas explicações. Em 2007, era transmitida na TV, todo domingo, a série Smallville, que era baseada nas aventuras de Clark Kent antes de ser o Superman. A série estava no auge, e muitos fãs brasileiros assistiam o desenrolar da trama. Muitas e muitas aventuras atraiam bastante o público jovem. Harry Potter dominava as salas de cinema desde 2001. Era óbvio que o público queria mais e mais.

CREPÚSCULO usou uma receita famosa, a da trilogia de Superman de 1978, e não foi o primeiro filme a fazê-lo. A trilogia Homem-Aranha com Tobey Maguire também usou a mesma receita e, como sempre, deu certo.

Aproveitar as receitas de filmes de sucesso, ainda mais para super-heróis, geralmente resulta em algo positivo, pois agrada uma geração. Muita gente se pergunta por que existe pouca criatividade no cinema. A reposta é que a publicidade e os efeitos especiais fazem com que o público assista o filme. Assim é e assim sempre será. O público exige pouco dos filmes atuais. Querem bom entretenimento, e isso não significa necessariamente que o público quer uma boa história. Quer algo bom, que chame a atenção e que atraia todas as idades. Isso tudo não significa que o filme precisa ter uma boa história inédita. A receita da vovó sempre funciona nas visitas da família. Esse é o segredo.

Enfim, CREPÚSCULO usou com intensidade todo o sucesso que já estava circulando nas mídias e, assim, conquistou seu público.

Para o Brasil, foi um maremoto de emoções. Se, por um lado, o sucesso de CREPÚSCULO estava dominando os jovens, por outro, todo mundo estava criando e se aliando ao sucesso para pegar uma fatia do bolo. Em todas as áreas havia algo sobre a saga. Matérias sobre vampiros e livros abordando a saga começavam a aparecer para atrair esse público que estava crescendo muito.

Esse fenômeno ficou em alta por um bom tempo. Chamavam os vampiros antigos de “vampiros de casaca” e, na Internet, as buscas sobre o tema “vampiros” mostrava sempre CREPÚSCULO nas primeiras páginas de resultados. Isso até assustou os organizadores de eventos realizados em casas noturnas, que acabaram mudando o tema para não ter gente muito jovem presente.

Por outro lado, o movimento CREPÚSCULO aumentou o interesse da mídia em propagandas, novas séries de TV e novos livros escritos por autores nacionais.

Os fãs dos escritores de vampiros participavam dos eventos de CREPÚSCULO e, aos poucos, a curiosidade sobre o tema aumentava. Isso fez com que o Brasil tivesse a sua chance no meio literário, e lembro bem que, em 2008, tive a oportunidade de participar de um livro sobre vampiros chamado “Amor Vampiro”, e esse livro foi um sucesso.

A literatura fantástica nacional teve o seu desenvolvimento e crescimento naquela época de CREPÚSCULO, e é certo que muitos escritores agradecem muito por essa onda ter aparecido no Brasil.

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Adriano Siqueira

Adriano Siqueira é o mais prolífico escritor de contos de vampiros do Brasil, tendo iniciado sua jornada em 1997. É membro efetivo da Academia de Letras José de Alencar, em Curitiba-PR, desde 2015, e participa do Núcleo de Literatura e Cinema André Carneiro desde 2016.

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